Os passos estavam cada vem mais perto.
Quem saiu do meios das longas árvores foram duas pessoas, ou melhor, eram dois vampiros. Nossos instintos vampíricos sabem decifrar um vampiro a alguma distância e acho que esses dois conseguiram me sentir e o Henry também, que nesse momento já deve ter voltado para o colégio ou para qualquer outro lugar, só espero que não esteja atacando pessoas na rua e saindo em algum noticiário ao vivo.
O que saiu na frente era um garoto, ele tem olhos cor de esmeralda e cabelo castanho escuro na altura do queixo, e a franja que escapa detrás da sua orelha deixa ele mais lindo do que já é. Está vestindo uma calça escura e camisa de manga verde exatamente da mesma cor que os olhos. E a outra pessoa que saiu da floresta é uma garota magra com olhos esbugalhados cinzas e cabelo loiro escuro preso num rabo de cavalo meio desfeito.
- Me desculpe se atrapalhei o casal se agarrando na floresta. - digo para eles que continuam parados no mesmo lugar.
- O que você está fazendo aqui? - o garoto pergunta com a voz irritada - Aqui é nosso lugar de caça, mais nenhum outro vampiro pode caçar por aqui.
- Como assim? Vocês por um acaso compraram a floresta ou o que?
Como um bando de estranhos pode chegar se achando assim. Quem eles pensam que são, algum tipo de vampiros mandões?
- Ela é novata - a garota diz revirando os olhos.
- Acabei de notar isso - o garoto diz e se vira para olhar nos meus olhos, isso me deixa um pouco vermelha, mas não desvio os olhos - Esse lugar é do clã Phortinalli e ninguém mais pode ultrapassar aqui, ok?
Consigo desgrudar os olhos dos dele e digo indignada:
- Como assim, que negócio é esse de clã? Eu não estou afim de obedecer a vampiros que nem sei se são confiáveis.
A garota bufa empurra o garoto para o lado e fica na minha frente. Ela tem aquela aparência de garota arrogante que me lembra a Carrie, e já começo a não ir com a cara dela.
- Quem te transformou acho que não estava tão interessada em ter mais um para o clã, pois sempre quem transforma uma outra pessoas leva ela para o seu clã, com o intuito de ficar mais fortes e ser o grupo de vampiros mais poderosos. E pelo visto você está sem ninguém.
Eu já escutei aquela vampira que me transformou falar sobre clã com aquele garoto hoje na hora da entrada do colégio, mas nem me liguei no que poderia ser. Agora só falta essa, ser vampira e ainda deslocada sem um grupo. Mas quer saber, eu acho que aquela vampira maníaca não tinha clã nenhum, ela nunca me disse nada do tipo, e olha que ela tem cara de ser esperta e a primeira coisa que faria seria me chamar para seu clã se tivesse um.
- Mas quem me transformou não tinha um clã - digo incerta.
Eles me analisam e a garota diz novamente:
- Acho que ela poderia entrar para o nosso clã. Parece ser forte.
- Claro que não dá para levarmos ela, Jessica, não foi transformada por nenhum de nós - o garoto diz apontando para mim enquanto falava.
- Mas quem transformou ela não tem um clã, então pelas regras podemos sim levá-la.
- Eu não sei, temos que falar com o Rerring.
- Ei, dá para falarem de mim, estou aqui e nem sei se quero clã algum.
A garota cruza os braços e parece que ela está sempre irritada, mas acho que ela realmente está.
- Acho que você não vai querer ficar sem um clã. Nos encontre amanhã as quatro horas no Express Lunch, nós precisamos conversar.
Ela diz isso e depois os dois somem tão rápido que nem sei que lado tomaram. E nem sei se o melhor é ter um clã ou não. Mas estou tão sozinha, e acho que uma companhia de vampiros não seria tão ruim, já que aquela vampira me largou mesmo.
Agora é melhor voltar para o colégio e encarar todos os olhares desconfiados.
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