Como eu pude me descontrolar a esse ponto? Logo eu que jurava que nunca machucaria um ser humano, me sinto culpada e arrependida, eu sei que o Henry não foi lá muito generoso comigo, mas era só largar ele para lá e seguir com a minha vida. Mas acho que estava com tanta raiva, que surgiu uma força não sei de onde, e eu o empurrei, mas não era para ser tão forte, e quando aquele sangue escorreu, eu não resisti, estava com muita fome.
Eu nuca me imaginei nessa cena, arrastando um corpo para o meio de uma floresta e tendo que dar um jeito nele, não quero matar o Henry, mas também não sei como ajudá-lo se ele for um vampiro, eu sou uma recém-transformada e não sei me controlar direito. Aquela vampira maníaca me deixou sozinha nessa, e nem sei o nome nela.
Chego perto do lago e jogo o corpo ali na beirada, aproveito para molhar a minha boca suja de sangue e limpar o pescoço do Henry. Resolvi deixar ele viver, mas vai ficar por conta própria, não quero um ex-namorado vampiro chato me perseguindo, e ainda não engoli o que ele fez comigo, e também não me importo de que aquela vampira fique com raiva de mim por ter largado ele ali, mas não estou nem aí, já me cansei dela me dando ordens e de sempre fazer as vontades dela.
O Henry começa a abrir os olhos devagar e depois de abri-los totalmente ele se senta assustado tentando entender o que ele faz ali naquela floresta e perto do rio. Ele finalmente me olha e chega para trás se arrastando na grama assustado. Acho que ele está se lembrando do que aconteceu.
- O que... o que eu estou fazendo aqui? - ele pergunta olhando ao redor. - e porque o som de tudo está mais auto do que o normal? E você, o que você fez comigo? - ele me lança um olhar acusador.
Eu cruzo os braços e fico andando de um lado para o outro como um general de exército.
- Nossa, quantas perguntas e apenas três palavras de resposta - digo parando em frente a ele mas ainda com os braços cruzados. - Nós somos vampiros.
O Henry com alguma dificuldade consegue se levantar segurando-se numa árvore próxima.
- O quê?! - ele pergunta tão alto que o som ecoa pela floresta e fazem os pássaros ao redor saírem voando.
- É isso mesmo que você ouviu queridinho, você é um vampiro recém-criado por mim, sei que perdi o controle e te mordi, não queria fazer isso. Mas enfim, você precisa se alimentar, em breve você vai sentir um ardor insuportável na garganta e eu não quero que você ataque um aluno inocente na escola.
Eu sei que o que disse é até um pouco irônico, já que eu a pouco tempo atrás ataquei um aluno no pátio do colégio, mas ele não era inocente. E eu falando com ele parece até que sou uma vampira experiente, o que não sou, não tenho nem uma semana transformada.
- Você andou fumando alguma coisa Melissa? Por que acho que não está nem um pouco bem da cabeça e... O que é isso... queimando? - ele pergunta segurando a garganta como se adiantasse algo.
Eu dou um risinho superior e respondo:
- Eu te disse que o ardor ia começar - olho ao redor em busca de algum animal a vista - Está vendo aquele coelho ali atrás da árvore? Vai até lá e deixe que seus instintos se aflorem.
- Isso é nojento - ele diz meio indeciso.
- Sei que é, mas se você quiser morrer, eu não vou me sentir culpada, já te deixei viver e se morrer a culpa vai ser sua.
Ele deu uma pensada rápida e quando eu nem esperava, ele avançou no coelho e cravou seus dentes pontudos no animal.
Enquanto ele se alimentava do coelho, ouvi som de folhas e passos se aproximando. Eu não sei quem pode ser essa hora da manhã no meio da floresta. Mas para não arriscar, mandei o Henry ir embora dali, já que ele estava com a boca suja de sangue e não daria tempo dele ir até o lago e voltar sem quem quer que seja aparecer. Não sei porque não saí dali também, acho que pelo fato de estar curiosa para saber quem é que sairia dali da floresta. Permaneci parada no mesmo lugar, só esperando para ver o que viria pela frente.
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