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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Vampire Bites - Capítulo 6

    Não fui para a sala de aula naquele dia. Era óbvio que eu não iria, nem estava por completa matriculada naquela escola.
    Levei aquele garoto para o meio da floresta que tinha atrás do colégio como combinado e matei um cervo para ele poder se alimentar. Eu já estava voltando para a escola quando vejo minha recém transformada mordendo aquele garoto que ela estava agarrada mais cedo no pátio.
- Dá pra parar?! Louca! Ele não serve! - grito enquanto puxava seus cabelos e seus ombros a forçando a parar.
    O garoto estava desmaiado no chão com os braços arranhados e a cabeça deveria ter batido com impacto na parede. Ela se mostrou capaz de ser bem forte.
- Não serve? Como assim? - ela diz com a boca repleta de sangue enquanto se levantava e deixava o corpo quase sem sangue largado no chão ainda desacordado.
    Cruzo meus braços, dou meia volta, coloco uma mão na testa e esfrego, tentando pensar.
- Agora mata ele, ué! Acaba logo com isso, não quero um recém transformado mongol para o meu clã!
    Ela me olha com os olhos arregalados enquanto limpava o sangue da boca com os pulsos.
- Não... não tenho coragem.
    Me bastava uma lerda. Agora tem ele também.
- Ok, então, se vire. Você que vai tomar conta dele, ensinar tudo, porque eu me recuso. Pegue logo o corpo, daqui a pouco ele vai acordar com fome. Leve-o até o lago.
- Mas...
- A-go-ra! Livre-se disso! Tire-o daqui antes que alguém o veja!
    Ela assentiu com a cabeça e o pegou por de trás pelos braços e o puxou o arrastando pelo chão.
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    Eu terminei de assinar alguns papéis na escola e fui me encontrar com o garoto novamente.
- Ei! Psiu! - sussurrei enquanto me aproximava dele que estava sentado numa pedra.
    Ele tremia que nem um liquidificador e sacudia as pernas batendo os pés com força no chão.
- O que houve?
    Ele olhou por de trás do meu ombro enquanto me aproximava dele.
- Uma... armadilha. Do caçador - disse a mim mesma.
    Virei-me e vi seus olhos azuis brilhando forte. Sua capa com capuz tampavam o seu rosto como a do garoto.
    Ele tirou algum tipo de sacola de dentro do bolso da capa e tirou a fita com agilidade que a mantinha fechada.
    Tentei ser mais ágil e cobri o meu rosto com os meus braços.
- Você só sabe se defender com isso? - pausei para tossir ao ver que o pó conseguiu chegar as minhas narinas. - Pó sem graça! - disse gritando.
- Um pó tão sem graça que pode te matar - sua voz soava como a de um animal ferido uivando por ajuda.
    Lembrei-me do garoto. Ele também era vampiro.
- Garoto, você está bem? Se proteja também!
    Virei-me e vi que ele já estava desmaiado. Esse pó não era tão poderoso quanto o outro, mas quem sabe ele só não agia tão rapidamente.
    Quando eu ia virar-me de volta ao caçador sinto alguém segurando-me por de trás, cruzando os braços rígidos mas magrelos em torno do meu peito e depois virando-me para cair no chão.
- Não é de bom tom bater ou empurrar as damas - disse ao caçador, mas não conseguia abrir os olhos, o pó os fazia arder intensamente.
    Só vejo alguém cruzar os braços a minha frente e sorrir maliciosamente soltando uma gargalhada.
- Mas essa regra só serve para homens...
    Uma voz sensual de mulher ecoou pela floresta. Sua risada era sinistra e ainda me apavorava.
    Tentei me levantar, apoiando as palmas da mão no solo úmido da floresta, mas eu senti a mesma coisa que meu companheiro também deve ter sentido. Um enjoo terrível que me fez cair no sono.

Vampire Bites - Capítulo 5

    Eu não sei o que aquela vampira que me transformou faz aqui, nesse colégio, e eu achando que nada poderia ficar pior. Parece que os problemas me perseguem para onde quer que eu vá, e eu não aguento mais conviver com isso, e não me alimento desde aquele cervo ontem e a fome cada vez cresce dentro de mim. Minha vontade era nem de vir mais ao colégio e nem voltar nessa cidade, mas acho que não aguentaria  ficar muito longe da minha família, e tenho que tentar ser o mais normal possível, e essa minha pele cada vez mais pálida e esse meus olhos cada vez mais fundos, não estão ajudando muito.
    Todos que passam, olham para a minha cara um pouco assustados, aposto que eles devem estar pensando assim Como essa patricinha que não sai sem maquiagem e é uma das mais populares do colégio pode vir com essa cara para a escola? Mas eu realmente não tive vontade nenhuma de me arrumar hoje, se pudesse viria de pijama para completar essa minha aparência horrível saída de um filme de terror.
    Depois de finalmente conseguir largar o Henry e dizer mais de mil vezes que eu estava bem - na medida do possível - eu notei que aquela vampira conversava com Phillip - um aluno que entrou faz uma semana no colégio e é do tipo todo estranho, só agora eu consigo ver que ele é um vampiro também, ou se não é, parece muito - e eu não sei do que eles falam, mas é em um som baixo - sei que agora tenho super audição, mas não consigo entender pois estou fraca demais sem sangue - , mas a aparência do garoto é um pouco assustada, acho que essa mulher consegue assustar qualquer um.
    O sinal toca e eu levo um susto. E acho que aquela vampira e o Phillip repararam que eu os observava meia escondida atrás de uma árvore.
    Vou para a sala de aula e me sento numa cadeira lá nos fundos da sala, coisa que eu nunca fiz na minha vida, sempre fui a popular e só os estranhos sentavam no fundo, e me sinto uma estranha agora, o que é verdade.
    A Julie entra na sala de aula empolgada e saltitante com os seus cabelos longos e ruivos caídos numa trança de lado, ela já ia para a mesa dos populares quando me viu sentada lá nos fundos e com cara de morta - ok, eu sei que já estou.
    - Nossa amiga, você está horrível, o que aconteceu? - ela pergunta me empurrando para o lado e se sentando ao meu lado.
    - Você sabe como fazer alguém se sentir bem - digo revirando os olhos.
    Sabia que algo aconteceria, estava tudo muito bem. Aquele cheiro bom, a pulsação nos meus ouvidos. Sangue quente correndo pelas veias, e eu não me alimento faz bastante horas. Mas eu preciso permanecer ali e controlar essa sede, se não sempre vou viver fugindo dos lugares.
    - Você não vai para o seu lugar não? - pergunto querendo que ela saia dali do meu lado - Acho que você não vai querer ser vista aqui atrás, no lugar dos não populares.
    Ela se levanta, acerta a saia e diz:
    - Mas você que é dona dos populares está aqui atrás, então eu também posso ficar, e você também  é minha amiga, e sinto que você não está bem, então vou pegar as minha coisas e ficar aqui.
    Não que eu não goste da companhia da Julie, ela é minha melhor amiga, mas nesse momento, sinto que não é bom para ela ficar perto de mim.
    Aproveito que ela foi para o outro lado da sala pegar a sua mochila e falar algo com os outros alunos, e vou correndo em direção a porta antes que alguém me veja. Eu sei que não queria fugir, mas hoje realmente não está dando, a fome está demais, preciso ir para a floresta dos fundos da escola e me alimentar de qualquer animal que aparecer na minha frente.
    Os corredores do colégio estão todos desertos e eu dou graças a Deus por isso, a última coisa que quero é encontrar um humano para me atrapalhar.
    Assim que ponho os pés para fora do colégio, encontro quem eu não queria encontrar, meu namorado Henry, ou talvez possa ser ex-namorado agora. Já estava super irritada com ele desde aquela festa em que ele dava em cima de todo mundo e agora é o cúmulo, ele está vindo todo sorridente segurando a cintura da Carrie, uma garota que é conhecida por pegar todos da escola e é super irritante, não suporto ela. Ela está com o batom vermelho todo borrado e a camisa do Henry toda manchada de batom.
    Assim que ele me vê, seu sorriso se desfaz e ele solta rápido a cintura da Carrie e diz algo para ela ir embora e ela vai.
    - Não é nada disso que você está pensando - ele diz com a cara assustada.
    - O quê? Que você é um babaca idiota e está me traindo?
    Sei que esse não é o momento para ter uma discussão amorosa, mas ser feita de idiota? Eu não tolero isso.
    - Mas eu não estou te traindo, você sabe que você é a única que eu quero ficar - ele diz segurando o meu braço.
    Tiro o meu braço das mãos dele e digo:
    - Logo com a Carrie?! Você sabe que eu não suporto ela e que essa garota vai contar para escola inteira que você ficou com ela e me fez de palhaça. E eu já estou com raiva de você desde a festa. Mas quer saber, não existe só você de garoto no mundo, então vai lá para as suas garotas que eu sigo meu caminho em paz.
    Digo isso e já estou pronta para sair dali e caçar algo, quando ele segura o meu braço e tenta me beijar a força.
    - Mas você sabe que eu te amo - ele diz tentando me beijar.
    - Me solta seu idiota - digo virando o rosto.
    Ele me empurra para uma árvore ali próxima e me prende sem me deixar sair.
    - Você vai ficar comigo nem que seja na marra, ninguém nunca me dispensou, e não vai ser você que vai me dispensar - ele diz com a expressão dura e começa a beijar meu pescoço.
    Eu me sinto com tanta raiva, uma fúria tão grande, que não sei dá onde veio aquela força se eu estava tão fraca. Eu empurrei o Henry tão forte que ele voou e bateu com as costas na parede da escola e depois escorregou no chão. Seu braço estava arranhado e saia sangue.
    Sangue, era tudo que eu precisava, e ali na minha frente estava tão perto e tão fresco, que eu não me controlei, o instinto foi mais rápido do que eu pude imaginar. E lá estava eu, mordendo o pescoço do meu ex-namorado cafajeste. Ele estava caído inconsciente e aquele sangue vindo direto da veia, eu não conseguia parar, sentia que se não parasse poderia matá-lo, não que eu não quisesse, mas eu nunca matei um ser humano, e precisava parar.
    Estava descontrolada e totalmente exposta, até porque estávamos no pátio do colégio. Senti mãos me puxando para trás me fazendo parar, e quando me viro, era aquela vampira que me transformou.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vampire Bites - Capítulo 4

    Segui para a floresta. Depois de deixá-la sem respostas, eu também fiquei sem. Sem saber seu nome, onde morava, estudava, nada. Um jeito de descobrir onde ela estudava era a única coisa que me restava.
    Eu lembro que da primeira vez que eu a vi ela estava acompanhada de um amigo muito íntimo ou namorado. Eles estavam indo para uma festa que rolava na casa de alguém, que também deveria estudar com eles. Era só eu ir até lá, invadir seu quarto enquanto ela não estivesse lá e ver o seu uniforme. Fácil, fácil.
    Era um garoto. Deveria ter uns dezessete anos e era muito, muito gato. Eu nem precisei entrar na casa, a sua camiseta da escola estava em cima de uma cadeira que estava em frente a escrivaninha e bem a vista em relação a janela. Escola West Lowing.
    Se eu tinha dezesseis quando minha primeira vida acabou, quer dizer que ele é um ano mais velho que eu.
    Ele deve estar na sala dela e ela deve ser do terceiro ano. Bom, vou dar uma de mais nova, né, mas tudo bem.
    Amanhã eu apareceria na escola e ela levaria um susto tremendo. Eu teria que me aproximar, e eu sei que ela também estaria esperando por isso.
    Era de madrugada quando eu tentava caçar alguém que caminhasse solitário pelas ruas da cidade.
    Passou uma mulher muito magra, e com um cheiro esquisito. Reprovada.
    Após algumas horas eu desisti. Essa cidade não era muito movimentada precisava urgentemente voltar para Calaputso.
    Minha cidade natal era Deodorus. Foi onde eu nasci e fui transformada.
    Foi lá que o caçador me achou e começou a me perseguir.
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    Segunda-feira e lá estava eu na secretaria da escola, esperando pela secretária.
    Já tinha lhe pedido a papelada para a inscrição. Ela me pediu para minha mãe comparecer a escola durante a minha primeira semana para os pagamentos.
    Assinei algumas coisas e ouvi o portão abrindo-se e os alunos entrando alvoroçados.
    Vi a minha recém transformada andando devagar de mãos dadas com seu namorado. Ela já estava com a pigmentação da pele mais clara e com os olhos mais fundos. Quanto mais ela ficasse sem beber sangue, pior ela ficaria e mais perigosa seria a sua vida escondida entre os humanos. Logo a perceberiam.
    Segui para o pátio e ela me notou. Seus olhos me acompanhavam enquanto eu seguia ao banco mais próximo para sentar-me.
    Dou umas olhadas em volta e percebo que não era só ela que me olhava fixa. Um outro garoto do outro lado do pátio também. Ele estava sentado no chão, de casaco preto com capuz e escutando música. Percebi em seus olhos e também eram fundos e sua pele também era bem esbranquiçada.
    Tem outro vampiro por aqui, também querendo recém transformados. Não sou a única, como ela também não é.
    Sigo na direção dele, ele se assusta e logo abaixa a cabeça.
- Ei, não se assuste. Quem te transformou também estuda aqui?
    Ele gaguejou um pouco, como se estivesse medindo suas palavras antes de começar a falar.
- Ele fugiu do caçador a um tempo. E eu não sei como me virar.
- Ele te abandonou por causa do caçador? Fracote... - indago.
    Sem dizer mais nada depois, resolvo chamá-lo para o meu clã que eu estava pretendendo fazer.
- Eu te ajudarei. Assim que o sinal bater, na floresta.
- Ok... é... obrigado.
    A garota me observava ainda e bem de longe. Agarrada no braço do namorado que conversava com alguns amigos. Ela não sabia ainda o que estava por vir, a vida que teria que abandonar.
    Eu não me desculparia por tê-la transformado em um monstro...

Vampire Bites - Capítulo 3

    Eu não estou me reconhecendo, como pude ajudar aquela mulher que me transformou em vampira? Eu poderia ter deixado ela morrer, até porque era isso que eu tinha na cabeça desdo momento em que ela me transformou nessa bizarrice. Mas eu não sei, algo em mim não consegue deixar os outros sofrerem nem que seja a pessoa que eu mais deteste na vida. Não sei, acho que poderia ter deixado ela lá, sofrendo, mas senti que precisava da ajuda dela para algo desconhecido ainda. Mas o mais estranho é que parecia que as pessoas nem notavam nada, ficavam passando, olhavam aquela mulher ali agonizando e depois mordendo um cervo, e nem pareciam estar se incomodando, como se vissem aquilo todo dia.
    Sei que tem algo estranho com aquela mulher, que ainda quero descobrir, mas só Deus sabe quando vou encontrá-la novamente. Mesmo não gostando nem um pouco dela, espero que seja em breve, pois não conheço ninguém como eu, e nem sei como agir. Depois que ela acabou de sugar todo o sangue do corpo do cervo, não tive tempo de dizer uma pergunta, ela saiu numa velocidade tão rápida que nem vi para onde ela foi, mas sinto que ainda vou vê-la de novo.
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    Estou próxima da minha casa, mas especificadamente, na frente dela, e simplesmente minha pernas travam. Tenho medo de entrar em casa e não conseguir me controlar, tenho medo do que minha mãe e minha irmã vão achar assim que eu puser o pé dentro de casa, aposto que pensam que eu bati com a cabeça e fiquei louca por ter saído da ambulâncfia daquela maneira. Mas eu não tenho escolha, de qualquer forma ia ter que encarar isso e voltar para casa, não ia poder ficar fugindo, pois nem tenho dinheiro, e também acho que não conseguiria ficar longe da minha família e amigos.
    Subo o primeiro degrau, sinto que minhas pernas tremem feito corda bamba parece que a qualquer momento posso cair. Subo os outros três degraus e paro na varanda de frente a porta de entrada. Penso em tocar a campainha, mas prefiro entrar direto, sei que a porta costuma estar encostada.
    Seguro a maçaneta e empurro a porta, que range. Olho pela abertura da porta e no hall de entrada não tem ninguém. Mas eu consigo escutar vozes vindo da cozinha e sei que não estão só a minha mãe e minha irmã em casa, tem mais pessoas aqui.
    Vou pelo corredor lentamente e com medo dos próximos passos. Sinto aquele cheiro inebriante de sangue. Mas sei que posso me segurar, sempre acontece isso em filmes.
    Entro na cozinha e a primeira coisa que acontece é todos os pares de olhos se virando para mim, está minha mãe, minha irmã e mais dois policiais sentados ao redor da mesa. Minha mãe se levanta e vem me abraçar apertadamente, a surpresa nos rostos de todos é inevitável, mas é claro, né, eu sumi do nada para uma floresta.
    - Minha filha! - minha mãe diz ainda me apertando - O que aconteceu, você sumiu. Eu estava aqui com os policiais, íamos iniciar uma busca por você na floresta.
    A Hillary se levanta, para na porta da cozinha e diz:
    - Tipo, eu disse que a Melissa ia aparecer, só sumiu por algumas horas. Agora se fosse eu, aposto que vocês nem iam se abalar. Tenho certeza de que ela não é tão certinha assim.
    Minha irmã diz isso e sai da cozinha. Ela é um pouco ciumenta, acha que minha mãe não liga para ela, mas isso não é verdade, e também não sei porque, mas ela tem uma certa raiva de mim só porque eu comecei a namorar o Henry, mas eu não sabia que ela gostava dele.
    Começo a escutar o sangue correr pelas veias das pessoas presentes ali na cozinha, aquele cheio que só vampiros conseguem sentir entrou pelo meu nariz. Mas eu sei que consigo me controlar. Me afasto da minha mãe.
    - Eu vou ficar bem, não aconteceu nada. - digo isso e vou correndo para o meu quarto.
    Mesmo no andar superior eu consigo escutar minha mãe falando para os policias que não sabe o que está acontecendo comigo e depois se despede deles.
    Vou para o banheiro e entro em baixo do chuveiro para pensar. Tudo aconteceu tão rápido, ontem eu era uma pessoa normal e com problemas típicos de adolescente e agora sou uma vampira com problemas de sangue e ter que me controlar. E sinto uma raiva por aquela festa, se eu não tivesse sido arrastada para lá por causa da insistência do Henry, aposto que nada disso estaria acontecendo. Eu ainda seria uma pessoa normal.
    Saio do banheiro coloco a primeira roupa que vejo pela frente e me jogo na minha cama fofa. Tenho vontade de voltar ao tempo, de nunca ter saído de casa ontem, sinto raiva daquela vampira estúpida e não sei porque ajudei ela. Tenho vontade de jogar tudo longe, mas para não fazer isso e deixar a minha mãe com a certeza de que fiquei louca, aperto tão forte a almofada que ela estoura e voa espuma para tudo quanto é lado do quarto.
    Tenho que voltar a minha vida escolar amanhã e sinto que não vai ser um bom dia. E preciso encontrar essa vampira que me transformou, tenho que saber mais sobre mim e sobre o porque ela estava agonizando no meio da rua.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Vampire Bites - Capítulo 2

    E lá estava ela. A presa infalível. Ingênua, sem drogas nem álcool no corpo para interromper o processo. Eu necessitava urgentemente de alguém como ela.
    Fora fácil atraí-la até meu "esconderijo" e prendê-la no chão com meu poder. Foi ridículo o quanto ela ficou assustada. E ela nem lutou contra. Fora fácil, muito fácil...
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    Para ajudá-la a se acostumar, a procurar comida certa, a ajustar seu horário trocado, eu teria que persegui-la. Saber seus passos diurnos e noturnos. Conhecer sua casa, saber se tem entradas não suspeitas e o mais importante. Estudar na mesma escola que ela.
    A um tempo que eu não estudava. Acho que uns cinco anos. Ninguém merecia ficar mudando de escola e sempre repetindo as mesmas matérias. Eu lembro de quando eu era humana, à uns seis anos atrás. Era bom e hilariante estudar.
    Os amigos e os colegas... enfim, isso era passado e passado deveria ficar para trás. Continuei andando pela floresta a caminho da cidade até eu encontrá-la. Com a boca ensanguentada, sentada num banco e pensativa. Pensamentos negativos.
    Onde será que ela estudava? Morava?
    Precisava descobrir isso urgentemente. Ela continuou sentada ali. O rosto mirando o chão. As mãos esfregando a boca e o queixo tentando limpar o sangue já ficando seco.
    Estava tão perto e ela nem percebera. Pensei que seus instintos já estariam aflorados, mas nada. Ainda bem que nada.
    Ela poderia estar desejando a minha morte, mas precisava tanto de ajuda. E ela não poderia regressar e voltar a ser como era. Nunca.
    Ela seguiria para casa. Depois de pelo menos uma hora refletindo ela teria que ir para lá. Colo da mãe, do pai, da tia, de sei lá quem seja.
    E, como sempre, eu não erro e depois de uma hora ela se levanta se segue pela cidade.
    Como era emocionante passar pelas pessoas humanas e sentir as veias pulsando e nenhuma desconfiança em seus olhares, até eu bater com um diferente. Ah, não. A pessoa de que eu fugira minha segunda vida inteira. O... caçador. Ele logo percebeu que eu era uma vampira e com um toque em meu braço eu comecei a surtar. Cai ajoelhada no chão, levando pequenos choques que se espalhavam pelo meu corpo com agilidade. Minha recém-formada se virou e viu quem eu era.
    Pensei que ela aproveitaria para me matar, mas algo a mostrou que precisaria de ajuda, então ela resolveu me ajudar. Ela se ajoelhou em frente a mim. Pessoas começaram a nos rondar. Que vontade de mandá-los para longe! E eu mandei, menos ela. Todos saíram de repente sem saberem o que estava acontecendo com eles.
    Esse era o meu poder. Ou os obrigava a ficar, ou os expulsava com um só pensamento.
    Ela ia me segurar, mas se me tocasse, o veneno que o caçador, que sumira entre a multidão,  colocou em mim iria passar para ela também.
- Não! - disse. A voz áspera. - Se fizer isso o veneno também passará para você.
- Ok... - as mãos dela tremeram - o que eu faço então?
- Traga... mu - levei um outro choque. Faltava pouco para chegarem ao meu cérebro e me matarem. Esse veneno era letal.
- Traga oque?
- muito... mu-muito... sangue.
    Ela arregalou os olhos e olhou em volta. As pessoas andando normal enquanto eu ficava fraca e meu poder de afastamento ia embora. Logo as pessoas estavam se aproximando devagar. A minha recém-transformada se levantou devagar e saiu correndo em direção a floresta.
- De-de-depressa! - gritei enquanto ela corria.
    Seria mais fácil ela matar algum humano, mas se ela preferiu ir atrás de algum cervo na floresta quem a impediria?
    Senti as vibrações chegando ao meu cérebro. Aquilo me dizimava. Minha cabeça tremia e a dor era intensa, muito intensa.
    A vi chegando de longe. O cervo em suas mãos. Como eu esconderia o cervo das pessoas curiosas?
    Tentei ao máximo usar meu poder de afastamento e enfim as pessoas não olhavam mais confusas nem para mim nem para a novata com o cervo.
    Ela se aproximou, deixou o cervo ao meu lado e eu comecei a sugá-lo vorazmente.
    Urh, a quanto tempo eu não sentia esse gosto amargo que o sangue dos animais tem.
    Até que esse deu. Não tinha nem muito sangue como um humano adulto, nem pouco como um bebê mas deu para tirar aquela agonia, aqueles choques, aquela dor de mim e deu para eu mostrar para a minha recém-formada que eu não era do mal. Nem tanto assim...
    Se ela não confiasse em mim agora, ela nunca confiaria e acabaria sendo morta pelo caçador em uma esquina qualquer.
    Levantei cambaleando um pouco. Ela ainda estava assustada, claro, mas também com muita, muita raiva de mim.
    Ela me ajudou a ficar de pé e parar de cambalear. Logo depois disso eu peguei o cervo com as mãos e corri para a floresta para sumir com aquele bicho e poder parar de usar o meu poder.
    Assim que voltei a menina continuou parada no meio da rua onde eu de repente houvera caído por causa do caçador. Ele estava com uma arma poderosa nas mãos. Esse veneno que eu não sabia o que era.
    O rosto do caçador não sairia da minha cabeça até eu encontrá-lo de novo. Mas eu não iria matá-lo, eu iria transformá-lo no seu maior pesadelo.

Vampire Bites - Capítulo 1

    Sou uma recém-transformada.
    Isso mesmo, uma vampira recém-transformada. Até pensar parece ser mentira, custei a acreditar, mas o que aconteceu até a pouco tempo não foi nada um sonho, está mais para pesadelo. E tenho ódio de quem fez isso comigo, um ódio mortal.
    Tudo começou ontem, quando eu voltava de uma festa sozinha e tarde da noite, pois não tinha quem me trazer em casa e o babaca do meu namorado estava super bêbado quase desmaiando, e eu não ia querer alguém assim atrás de mim, sou uma pessoa que odeio bebidas e cigarros, ou qualquer coisa que faça mal.
    Mas voltando ao assunto, eu andava tranquilamente pela estrada Nithuera sem nenhum medo, até porque sei que tem policiamento nessa área e a noite estava clara e limpa, a única coisa estranha e que na cabine da polícia não tinha ninguém, estava escuro e com um vidro quebrado, mas achei que não tinha nada haver, talvez estivessem dando a ronda por aí e o vidro pode ter sido alguém de palhaçada tacando pedras na cabine policial.
    Continuei meu caminho normalmente xingando mentalmente o Henry e todos daquela festinha estúpida, mas estava tão imersa em pensamentos que quase tropecei em uma protuberância a minha frente, aquela área estava meio escura então não reparei muito bem, mas assim que pulei aquela coisa eu vi e quase desmaiei...
    Era o corpo de uma pessoa, mais especificadamente, o do policial Brad, o que sempre faz a ronda de noite.
    Comecei a surtar, tentava chamar ele, tentei ligar para a ambulância e para a polícia mas o meu celular no meio da ligação acabou a bateria. O mais estranho assim que vi o corpo, era que o policial estava pálido e seu corpo meio murcho, tinha feridas no pescoço e um rasto de sangue seguia pela trilha da floresta Nithuera, estremeci, mas por puro impulso fui levada pelo rastro e cada vez mai me aprofundando na mata.
    O barulho de insetos zumbia no meu ouvido e eles colavam no meu gloss, mas nada me incomodava. Assim que acabou o rastro de sangue, parei num lugar amplo cheio de árvores em volta de um círculo, simplesmente não sabia onde eu estava, só sei que algo me prendia aquele lugar, tentava me mover mas meus pés estavam colados no chão, e nesse momento escutei uma voz de mulher.
    - Hora de ser iniciada, você vai ser a minha novata. - a voz dizia, mas eu não sabia de onde vinha, parecia vir de vário lugares.
    O desespero tomava conta de mim, eu estava desprotegida, parada ali sem poder fazer nada. Comecei a gritar, mas ninguém estaria ali aquela hora da noite e muito menos me ouvir no meio da floresta. Minha voz ficou rouca de tanto gritar.
    Vi as árvores a redor do círculo se moverem e sabia que algo sairia de lá, talvez a minha morte estaria chegando. Cada vez se aproximando mais, e mais, e o meu coração quase pulava do peito.
    Ela saiu da floresta, era uma mulher alta, com uma cor muito pálida para ser de um ser humano normal, seus cabelos eram loiros e compridos que voavam com o vento que batia,seus olhos eram pretos não conseguia distinguir as pupilas e eles transmitiam um ódio intenso. Cada passo dela que se aproximava de mim eu consegui vê-la melhor, ela tinha uma beleza sombria e assustadora que me gelava a espinha.
    - Boa noite - ela dizia com sua voz mortífera - e boa morte também.
    Quando ela acabou de dizer isso, com uma rapidez desumana, ela avançou em mim, e a última coisa que vi foram seus dentes compridos e finos.
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    Foi assim que me transformei nisso, acordei já de manhã no meio da estrada e com um bando de olhos curiosos em cima de mim. Uma ambulância me pegou me levou para dentro do seu carro, minha audição estava estranha, parecia que tudo estava mais alto e os barulhos se confundiam, me sentia meio desnorteada e com uma fome horrível.
    Minha mãe se aproximou de mim e começou a me beijar nas bochechas e me abraçar.
    - Filha, você deu um susto em todos nós, o Henry disse que você não tinha ficado na festa até o final e quis vir embora.
    Namorado idiota, colocar a culpa nele ele não coloca penso.
    Comecei a pensar que tudo tinha sido só um pesadelo e que talvez tivesse sido atropelada. Mas aí veio o que eu não esperava.
    Um ardor começava a subir pela garganta, parecia que eu tinha comido um vidro inteiro de pimenta, sentia meu corpo quente. E um incontrolável desejo me veio...
    Sangue.
    Estava rodeada de pessoas com sangue quente correndo pelas veias, e minha mãe ali na minha frente, escutava sua veia batendo e o sangue passando pelo seu corpo. Não conseguia desviar o olhar do seu pescoço.
    - Filha está tudo bem? - minha mãe perguntou, mas sua voz soou longe.
    Senti que se eu não saísse dali, uma tragédia ia acontecer. Pulei da maca da ambulância e assim que sai dali vi o corpo do policial de ontem sendo levado por uma outra ambulância. E o meu desejo de sangue aumentava.
    Corri para dentro da floresta feito uma louca e adquiri uma velocidade que nunca tive na vida, achei que fosse cair. Assim que tive certeza de estar a uma distância segura da minha família e daquelas pessoas, eu parei.
    Como eu pude pensar em machucar alguém e esse alguém ainda ser a minha mãe? Isso não pode estar acontecendo comigo pensei. E uma voz na minha cabeça dizia para me alimentar, mas eu não sabia fazer isso. Mas o cervo que passou na minha frente não teve sorte, como que por instinto eu agarrei ele com uma força que não sei de onde veio, e cravei meus dentes que surgiram no pescoço do animal.
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    Agora estou aqui, sentada num banco perto do bosque sem saber como voltar para casa depois de tudo isso. Não sei como vai ser a minha vida daqui para frente, aposto que minha mãe e todos que estavam lá vão pensar que eu estava drogada ou algo do tipo por ter saído correndo e ainda para floresta.
    Odeio ser vampira. Não gosto de machucar as pessoas  e hoje quase fiz isso com uma das pessoas que mais amo. Mas pode ter certeza de que eu vou encontrar essa vampira e vou me vingar dela.